Primeiro abre os olhos, depois levanta. Arrisque um pé no chão para achar as sandálias. Esquece os cinco minutos de soneca e livre o rosto das remelas com água fria. Toma um leite, isso vai lhe molhar a garganta e fazer esquecer do gosto de travesseiro. A recidiva do gosto do travesseiro faz amolecer o passo e complicar as idéias. Espinha ereta, olhar desperto, cabelos desembaraçados. Escolhe a roupa que mais combina com seu humor e aprende desde já é assim que vão lhe julgar. Ligue a TV durante um bom jornal e faz a escolha das notícias que você vai acreditar. A vida que não é e que nunca passará a ser. Sonâmbula volante, a caminho do trabalho, a caminho da escola, no passo da linha estreita de pisadas marcadas. Dormência lexical, mesóclises de repouso, orações adversativas querendo concordar. Sim senhor, assim seja, amém. Até que a morte nos separe e o grito surdo dos cabelos em crescimento enlouqueça nossas cabeças. Agora é hora de voltar pra casa. A cama está armada. Deite os pensamentos e sublime a podridão que amanhã é outro Sol, e o leite dessa vez será desnatado.