Friday, June 23, 2006

Deixa eu te falar uma coisa...

Contei minhas confidências mesquinhas com o rigor de um inferno de Dante, e qual foi meu espanto - gostei. O drama apeteceu meu dia, você virou a comadre que me faltava. E agora você tem a mim toda vez que eu quiser encontrá-la, certo?
Fica assim combinada a eterna amizade de uma boca surda e um ouvido banguelo.

Mês sabático

Eu não quero formular pensamentos. O garimpo das idéias está parado, por um momento apenas. É uma entre-safra de miolos que está acontecendo, não se assuste. É que tô carente de certezas, mendigando afirmações. As sintaxes nervosas estão frouxas e não querem apertar o passo pro abismo da criação que é se jogar sem olhar pra onde e nem saber porque. Estou ansiosa demais para cair desatinada e a vertigem me consome o ânimo de pular. Mas tudo bem, para evoluir há de se distanciar. E hoje eu tô louca, eu tô fora de si.

Tuesday, June 06, 2006

mausoléu

Primeiro abre os olhos, depois levanta. Arrisque um pé no chão para achar as sandálias. Esquece os cinco minutos de soneca e livre o rosto das remelas com água fria. Toma um leite, isso vai lhe molhar a garganta e fazer esquecer do gosto de travesseiro. A recidiva do gosto do travesseiro faz amolecer o passo e complicar as idéias. Espinha ereta, olhar desperto, cabelos desembaraçados. Escolhe a roupa que mais combina com seu humor e aprende desde já é assim que vão lhe julgar. Ligue a TV durante um bom jornal e faz a escolha das notícias que você vai acreditar. A vida que não é e que nunca passará a ser. Sonâmbula volante, a caminho do trabalho, a caminho da escola, no passo da linha estreita de pisadas marcadas. Dormência lexical, mesóclises de repouso, orações adversativas querendo concordar. Sim senhor, assim seja, amém. Até que a morte nos separe e o grito surdo dos cabelos em crescimento enlouqueça nossas cabeças. Agora é hora de voltar pra casa. A cama está armada. Deite os pensamentos e sublime a podridão que amanhã é outro Sol, e o leite dessa vez será desnatado.