Ilha deserta - pessoas
Não, não vou começar com o Brad Pitt. Na tal ilha deserta tem que ter um bom e ferino inimigo. Porque se for para ficar num lugar com muita água de coco, sol e barulho de mar por tempo indeterminado, tem que ter alguém muito mala no seu encalço para a fibra não amolecer. Eu me refiro sim àquele velho ditado, de manter seus amigos por perto e os inimigos mais ainda. Mas no caso da ilha, o inimigo por perto é item de sobrevivência. Depois de um tempo a pessoa enjoa do esquemão sombra-e-água-fresca e tudo o que quer é falar mal de alguém para espairecer.
E para falar mal de alguém tem que ter o outro mala à altura do inimigo, mas que jogue do outro lado da linha - o seu. Não precisa ser um amigão, mas tem que ter um rico vocabulário voltado à difamação e injúria. Porque não dá para malhar a língua com alguém que não vai além dos predicados "vadia", "horroroso" e "filho da mãe". Não. A coisa tem que ser sofisticada, no nível "prega do cu do cão".
Saindo do triângulo de frivolidades, é evidente que seu melhor amigo tem que estar com você na tal ilha deserta. O problema todo é que o papo não vai render muito. Os assuntos naturais, fisiológicos e nostálgicos vão marcar para sempre a pauta de conversas. "A maré hoje tá forte", "tive uma puta dor de barriga", "ah, adorava assistir a Caverna do Dragão quando criança". E aí, quando o assunto acabar de vez mesmo, depois até de simular uma infecção urinária para puxar mais conversa, é que o papo filosófico ganha vez. "Você acha que estamos aqui por um motivo traçado pelo destino?", "o que nos espera depois da morte"? Aí neguinho, tenha certeza, o negócio tá sério.
Então é aí que surge a importância de alguém festeiro na ilha, que saiba produzir cachaça da palha do coqueiro, e petiscos gostosos com o que mais tiver por lá. Nessa hora, com velas acesas e cocochaça na cumbuca, é o momento certo para anunciar a presença dele, Brad Pitt.
Acho que já tá bom de gente, né?
P.S.: Não sou tão fã do Brad assim. Somos velhos amigos, só isso...
E para falar mal de alguém tem que ter o outro mala à altura do inimigo, mas que jogue do outro lado da linha - o seu. Não precisa ser um amigão, mas tem que ter um rico vocabulário voltado à difamação e injúria. Porque não dá para malhar a língua com alguém que não vai além dos predicados "vadia", "horroroso" e "filho da mãe". Não. A coisa tem que ser sofisticada, no nível "prega do cu do cão".
Saindo do triângulo de frivolidades, é evidente que seu melhor amigo tem que estar com você na tal ilha deserta. O problema todo é que o papo não vai render muito. Os assuntos naturais, fisiológicos e nostálgicos vão marcar para sempre a pauta de conversas. "A maré hoje tá forte", "tive uma puta dor de barriga", "ah, adorava assistir a Caverna do Dragão quando criança". E aí, quando o assunto acabar de vez mesmo, depois até de simular uma infecção urinária para puxar mais conversa, é que o papo filosófico ganha vez. "Você acha que estamos aqui por um motivo traçado pelo destino?", "o que nos espera depois da morte"? Aí neguinho, tenha certeza, o negócio tá sério.
Então é aí que surge a importância de alguém festeiro na ilha, que saiba produzir cachaça da palha do coqueiro, e petiscos gostosos com o que mais tiver por lá. Nessa hora, com velas acesas e cocochaça na cumbuca, é o momento certo para anunciar a presença dele, Brad Pitt.
Acho que já tá bom de gente, né?
P.S.: Não sou tão fã do Brad assim. Somos velhos amigos, só isso...
