Wednesday, May 28, 2008

Nossa Senhora...

Me apaixonei!

http://www.youtube.com/watch?v=UdvgtqdFPoM
 

Sunday, May 18, 2008

Coisas que o povo fala

Sempre gostei de bicho. Em Brasília, criada em apartamento com grade na janela, não tinha muito como desenvolver esse amor. Quando ia passar férias no interior do Nordeste, geralmente em julho e em dezembro, eu dava o desconto. Não passava cachorro na minha frente, por mais pulguento que fosse, que não recebia, desesperado, o meu carinho de menina criada em apartamento com grade. Só  na fazenda da minha tia é que tinha um limite. Bichinho novo não, porque vai "amufinar". 

Eu achava graça dessa palavra. Pra mim era uma invenção sertaneja sem sentido, palavra que o povo cria por criar, não vem de canto nenhum e vai viver para sempre ali, no meio do mato seco. Mas eu era menina nova, não sabia de nada não. Amofinar está no Aurélio, faz parte da norma culta da nossa língua. Por nunca tê-la ouvido na cidade "grande" (Brasília do início dos 90`s), pensava que aquela palavra não tinha o direito de existir formalmente, muito menos naquele pedaço escondido de Brasil. Foi quando entendi o que é a tal sabedoria popular. 

Esta tampa está "corrupta", outra frase que lembro bem. Nos meus livros de português, era caso certo de prosopopéia. Corrupto só policial e político, não é não? Mas olha como a gente se engana, tampa corrupta é tampa gasta, que não arrocha mais. E "arrocho" não é só jargão econômico, serve para  tampa também, e até pra um forró mais animado.

Adoro essas expressões que parecem invenção de caipira, mas que têm todo o respaldo dos linguistas para serem ditas por inteiro. Ontem mesmo eu estava com uma gastura no estômago. Falando assim, parece que a dor é mais leve. 


Friday, May 16, 2008

Lixo informativo

Quem não me conhece que me tome pelo lixo que faço. Casca de banana, resto de almoço, extrato de banco, areia pra gato, jornal antigo... 

-Alguém que quer ser mais saudável de manhã, desiste à tarde, é solteira, tá quebrada e desatualizada?

-Quase lá...



Thursday, May 08, 2008

Lembranças

No começo do ano ganhei uma marrafa marrom. Marrafa é aquele pentinho curvo que as típicas avós amarram seus coques. Coque é aquele bolinho de fios de cabelo, parecido com penteado de bailarina.

Minha avó não era bailarina. Nasceu no interior do Rio Grande do Norte. A julgar pelo que os mais velhos contam, uma terra mágica comparada ao esturricado sertão de hoje. O tempo tem disso mesmo, de tornar tudo muito mais bonito.

Sempre achei que pele de vó era diferente, cor de sépia. Que cheiro de vó era de foto guardada em baú. Não lembro do toque do seu cabelo, nem do olhar. Para mim, olho de vó era aquele congelado pelo retratista. Sempre tão severo...

Só lembro mesmo da marrafa marrom. Foi tão bom ganhar uma e colocar no cabelo, do jeito que as bailarinas fazem. Do jeito que minha avó fazia. 

Ou foi o tombo do navio, ou foi o balanço do mar...

Aumenta o volume! Essa é muito boa. I want yoooooou, I want you so baaaaaaaaaaaaaaaaad... A entrada já passou. Volta o carro. Olha o buraco! É aqui? Que lindo! Vamo sentar ali. Quer tomar um sol? Caldinho de caranguejo, por favor. Qué que eu faço? Tem razão. Que se lasque. Você também! Nem vem. Ah, vamo! Quando é? Já vou ter viajado... Pôquer sexta, hein? Já é meio dia? Três?!?!? Que azar! Me dá um. Conta mais. Talvez. Eu não. Também acho. Como vai ser? Isso não é problema. Vamo mergulhar? Aqui tá bom, né? Em Brasília ninguém conhece essa palavra. Deve ser com J. Curto muito. Tá escurecendo. Tapioca? Delícia. Tô ardida de sol. Beijos, foi massa. Não esquece o pôquer!

Mar e frase pouca. Que saudade!

Tuesday, May 06, 2008

Figuras brasilienses

Tararau tem um segredo. Todas as noites, em qualquer boteco de Brasília, lá está ele vendendo seus incensos indianos. Asa Sul ou Asa Norte, lonjura não é problema, o homem bate o Plano Piloto de cabo a rabo, sem suor e sem canseira. Nunca vi Tararau de carro, nem descendo de ônibus. Como esse homem faz para estar por todo canto? 

E dizem ainda que o dinheiro miúdo de todas as noites tem propósito certo. No fim do ano Tararau vai pro Chile descansar as pernas. É quando os bares de Brasília ficam sem incenso indiano. 

Tem outro vendedor ambulante que cobra cinco reais por uma edição mal impressa de A Escola de Libertinagem, do Marqueês de Sade. O cara é esperto, sabe que o povo gosta de ler aquelas sacanagens enquanto bebe cerveja. E respeita o material, é literatura pura, século XVIII underground. Se o sujeito que se engraçou não tiver dinheiro, não seja por isso. Passa CARTÃO!

Esta cidade é mesmo cheia de figuras. No pastel que eu mais gosto, não tinha caldo de cana. A mulher que frita as gostosuras já foi se antecipando a qualquer indagação. É o etanol, minha gente! Tá acabando com a cana! Voltei de boca seca, mas morrendo de rir da segurança nos argumentos. 

E na barraquinha do coco? A gente já vai preparando aqueles papos de clima, de futebol, pra dar o tempo de encher o copinho com água bem gelada e doce. Mas no Parque Olhos D`água, na entrada virada pras 15 (quem é daqui há de entender), tomei um susto quando ouvi "Tenho ações na Petrobrás, tá rendendo, tô gostando...". Engoli meu comentário sobre o calor, e refresquei as idéias no estabelecimento do mais novo acionista da cidade. É, nunca mais chamo aquilo de barraquinha.