Coisas que o povo fala
Sempre gostei de bicho. Em Brasília, criada em apartamento com grade na janela, não tinha muito como desenvolver esse amor. Quando ia passar férias no interior do Nordeste, geralmente em julho e em dezembro, eu dava o desconto. Não passava cachorro na minha frente, por mais pulguento que fosse, que não recebia, desesperado, o meu carinho de menina criada em apartamento com grade. Só na fazenda da minha tia é que tinha um limite. Bichinho novo não, porque vai "amufinar".
Eu achava graça dessa palavra. Pra mim era uma invenção sertaneja sem sentido, palavra que o povo cria por criar, não vem de canto nenhum e vai viver para sempre ali, no meio do mato seco. Mas eu era menina nova, não sabia de nada não. Amofinar está no Aurélio, faz parte da norma culta da nossa língua. Por nunca tê-la ouvido na cidade "grande" (Brasília do início dos 90`s), pensava que aquela palavra não tinha o direito de existir formalmente, muito menos naquele pedaço escondido de Brasil. Foi quando entendi o que é a tal sabedoria popular.
Esta tampa está "corrupta", outra frase que lembro bem. Nos meus livros de português, era caso certo de prosopopéia. Corrupto só policial e político, não é não? Mas olha como a gente se engana, tampa corrupta é tampa gasta, que não arrocha mais. E "arrocho" não é só jargão econômico, serve para tampa também, e até pra um forró mais animado.
Adoro essas expressões que parecem invenção de caipira, mas que têm todo o respaldo dos linguistas para serem ditas por inteiro. Ontem mesmo eu estava com uma gastura no estômago. Falando assim, parece que a dor é mais leve.

4 Comments:
This comment has been removed by the author.
pra que tu precisas de bicho se tu ja' es um passarinho lindo? :)
passarinho, que som é esse? e quem e quem sabe o nome dle?????
esse é o som do banjolimmmmmmmmm
passarinho que som esse?
esse é o sommmmmmmmmmmmm
Adorei seu texto!
Post a Comment
<< Home