Thursday, September 20, 2007

Close your eyes

É aquela história, tem pessoas que não imaginam o quanto são importantes para mim. E tem outras que sabem muito bem disso. E é destas que eu quero falar.

Eu tenho rompantes constantes de saudosismo. Agora mesmo, fecho os olhos e lembro de vinho barato, varanda, noites em claro, violão e muita macarronada com molho de tomate. Para mim, saudade tem gosto de molho de tomate e vinho barato.

Lembro de sensações onde eu adoraria morar. Juntar um travesseiro e um cobertor e dormir na primeira declaração de amor, almoçar nas saídas a pé em Tambaú, escovar os dentes nas tardes desocupadas de sol, ler um livro na primeira amizade de verdade e respirar sempre nos bons abraços já dados nesta vida de braços longos e confortáveis. Às vezes nem tanto.

Cultuar passado e futuro não tá com nada, já dizia uma amiga. Mas quando o presente inventa de apertar a garganta da gente vale a pena fechar os olhos só mais um pouquinho.

Saturday, September 15, 2007

Ilha deserta - músicas

Por que é tão difícil responder quando alguém pergunta qual é a sua música predileta, ou a que mais marcou a sua vida? De cara, a resposta mais cômoda - aquela velha saída pela tangente - é dizer que não dá para falar, são tantas, deu um branco, ou então escavar aquele som esquisito e empoeirado, que ninguém além de você conhece. Mas sabe o que eu acho? Ninguém tem coragem de revelar o que é, na maioria das vezes, uma escolha - ou imposição - pouco refinada.

Uma das músicas que embalou a minha infância foi Princesa, do Amado Batista. Eu já tive muita vergonha de dizer isso. Mas que culpa eu tenho de ter passado a maioria das minhas férias no interior da Paraíba, e a casa da minha avó dar de cara com um parquinho rabugento, com roda gigante rangendo, a pirralhada correndo e o sonzinho do operador de máquina berrando Princeeeesa, a deusa da minha alegriiiiia? Marcou.

Disso eu não tenho culpa, tá. Mas eu já fui fã do Bon Jovi e Roxette, adoro Hey Jude, Chega de Saudade, Wish You Were Here e várias outras canções que não podem faltar num autêntico barzinho com couvert "artístico". Não seriam essas que eu levaria a uma ilha deserta, mas ninguém pode negar o quanto é bom acompanhar o "Lá lá lá láláláláaaa, láláláláaaa, Hey Jude, Juju ru juru juru juru juru...".

Mas agora, que dez músicas eu levaria à tal ilha deserta?

Give me love - George Harrison
Cabimento - Arnaldo Antunes
Alento - Paulinho da Viola
In my life - Beatles (Hey Jude também levaria)
Ain't got no - Nina Simone
It ain't me e Like a Rolling Stones - Bob Dylan
O A kind of Blue inteiro - Miles Davis
Time (para os meus aniversários na ilha) - Pink Floyd
Solidão - Tom Zé
Fuá na casa de Cabral - Mestre Ambrósio (porque nessa ilha também tem que rolar um forró)

Saturday, September 08, 2007

Brasília, je t'aime

Um papel amarrotado na mão, com salas, disciplinas e horários anotados, a mochila verde e meu jeans predileto. O olhar de quem tenta disfarçar, mas que só reforça a expressão de espanto e deslumbramento com o que ia começar ali, entre bambuzais e tapetes de folhas secas do setembro de tempo sofrido de Brasília.

Gente nova, saudade dos amigos que ficaram. Mais saudade ainda do futuro que demorava a chegar. Prazer, meu nome é Sofia, gosto de ambrosia e meu autor predileto é James Joyce. Ah, sabe de uma coisa, nada de prazer, tô cansada de me apresentar, gosto mesmo é de rapadura e nunca li, vi, escutei porra nenhuma da Irlanda. Tá, não gosto de U2.

E aí, três anos depois, pouca coisa mudou. Ainda não li Ulysses, aquele jeans continua sendo o predileto e em setembro as folhas são secas e as árvores retorcidas em Brasília. Mas a pisada está mais firme, o olhar menos perdido, os amigos dispensam apresentação e o futuro parece mais próximo. Mas ainda tenho saudade dele.